quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Os Kisêdjê


Os Kisêdjê constituem o único grupo de língua Jê que habita o Parque Indígena do Xingú. Mas desde sua chegada na região (provavelmente na segunda metade do século XIX), seu contato com outros povos xinguanos e, principalmente, com aqueles da chamada área cultural do Alto Xingu, ocasionou a incorporação de muitos costumes e tecnologias alheias. Entretanto, jamais abriram mão de sua singularidade cultural, cujo principal emblema pode ser reconhecido num estilo particular de canto ritual, expressão máxima das individualidades e do modo de ser da sociedade Kisêdjê. Até algumas décadas atrás, outro marco diferencial do grupo eram os grandes discos labiais e auriculares que, mais do que ornamentos, apontavam a importância do cantar e do ouvir para esse povo.

Os Kisêdjê são também chamados de Suyá. A palavra Kisêdjê significa ouvir, compreender e saber e estas são as qualidades mais valorizadas por este grupo.

Valores da sociedade Kisêdjê

Os valores são ensinados pelos velhos, pelos avós e pelos pais desde criança. Ensinar a respeitar as pessoas, ter bom comportamento, caçar, pescar, saber dar valor à natureza e à vida humana. Saber tratar os convidados e as famílias mais próximas e distantes. Ensinar a fazer artesanato, respeitar cada animal e outros seres que existem na natureza. Ser generoso, honesto com os seres humanos. Seguir as regras dos mais velhos, das coisas que eles nos ensinam. Respeitar lugares e objetos que têm suas histórias contadas pelos mais velhos.

Existem lugares e objetos sagrados, principalmente o lugar e os objetos de reza do pajé, como o apito feito com o osso de ave, o cigarro e as ervas. Muitas pessoas respeitam e consideram os próprios pajés como pessoas sagradas. As montanhas e as lagoas que têm sua história contada pelos mais velhos, também são sagradas.

Conheça a história do caçador do povo Kisêdjê que foi capturado pelo monstro Kátpy na mata:




Fontes:
http://pibmirim.socioambiental.org/como-vivem/aprender
http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kisedje/1228

  • "O que mais me chamou atenção no Parque Indígena do Xingu foi a doçura das relações.
  • As pessoas daquele lugar são uma maravilha!
  • Fui para lá acompanhado de um assistente, que é francês,
  • e ele disse uma coisa engraçada e que caracteriza bem o clima de lá:

  • 'aqui a gente não viu nem cachorro brigar, não é Sebastião!'.

  • E foi assim mesmo, a gente não viu agressividade entre as pessoas,
  • o que é tão comum hoje em dia em vários lugares do planeta,
  • não é mesmo ? Mas lá não tinha."

  • (Sebastião Salgado; fotógrafo)
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sábado, 17 de outubro de 2009


PAJELANÇA - O XAMANISMO BRASILEIRO

É provável que a palavra Pajé venha da raiz pa-y = profeta, adivinho, curador, sacerdote, xamã. O termo pajelança é aplicado nas manifestações xamânicas dos índios brasileiros. Pode ser divido em pajelança indígena (rituais indígenas) e pajelança cabocla, que são praticas religiosas (não índígenas) mais comuns no Noorte e Nordeste brasileiro.

Há anos atrás, o amigo Walter Vetillo foi a Belém fazer uma reportagem para a Revista Planeta, cobrindo o VI Congresso Brasileiro de Parapsicologia e Psicotrônica onde se realizaou um Encontro de Pajés. Parte da mátéria transcrevo abaixo :

Afinal...quem são os pajés ?

Existe muito pouca coisa publicada no Brasil sobre este fascinante assunto. Uma contribuição preciosa foi o depoimento do estudioso dos mistérios amazonenses, Antonio Jorge Thor. Thor comenta o xamanismo e a pajelança :

" Um aspecto curioso deste assunto é que nos Estados Unidos, quando se fala em xamanismo, muitas linhagens dos xamãs são mulheres No Brasil não; aqui pajé é sempre somente do sexo masculino - primeira geração, que passa de pai para filho. Para sser um pajé, o candidato deve ser um paranormal e médium ao mesmo tempo. Ou seja, dve ter muitas força mental (paranormalidade) e a mediunidade, que mexe com a bioenergética, com as partículas biocósmicas (provocam a expansão da consciência fora da matéria, o espírito por exemplo), enfim aquela coisa da espiritualidade.

Entre as diversas tribos, como os Kraôs, caiapós e gaviões, varia muito o conceito de pajelança, mas eles tem alguma coisa em comum: o misticismo , o segredo. Você as vezes passa um longo tempo para conseguir uma informação, um segredo, como por exemplo, sobre um não-alucinógeno para você sair com facilidade do corpo (desdobramento) . O pajé penetra na área da encantaria, uma outra vertende da grande magia que pouca gente conhece., que é passar para uma outra dimensão e e muitos dele quando retornam dessa experiência , voltam curados. Eu fui iniciado pelas mãos de uma curandeira de terceira geração que foi tratada pelos pajés. Doente, ela passou algum tempo desaparecida e quando retornou, além de curada veio com dons incríveis.

A pajelança é uma forma de magia nativa da Amazonia, tipicamente indutiva, atuando sobre qualquer elemento vivo e mantendo estreita relação com os demais reinos da natureza: mineral, vegetal e animal. É praticada por curandeiros (principalmente pelos pajés da Amazônia), com base no xamanismo indígena .

Pelas suas ações, o xamã tenta estabelecer contato com outras formas de existência através de comunicações com entidades sobrenaturais, procurando restabelecer o equilíbrio perdido entre a natureza e a mente. Esse processo envolve curas, exorcismos, e outrois atos com objetivos diversos.

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A verdadeira pajelança é restrita a uma minoria que ostenta os segredos e poções mágicas que rejuvenescem, curam, matam, provocam viagens astrais e outras grandes iniciações. Atualmente, existem poucos pajés desse tipo no Brasil. A presença da mulher é vedada.


Um elemento indispensável na pajelança é o maracá. O maracá de um xamã é recebido ou confeccionado durante a iniciação, sendo, portanto, sagrado para ele. em alguns casos é passado de pai para filho; ou ainda, o "escolhido" é induzido a achá-lo mediante as regras impostas pelo ritual de iniciação..

Outro elemento fundamental é o tauari , uma espécie de charuto natural semi-oco que ajuda o pajé a defumar o local ou a pessoa em questão. O charuto, com sua fumaça cheirosa, objetiva imantar o ambiente e criar uma atmosfera toda especial, para facilitar os cantatos que o pajé queira fazer.


Se o maracá e o charuto, são importantes para um pajé, pois assumem significados sagrados em suas mãos, existem outros elementos secundários uisados ao lçongo dos trabalhos desenvolvidos.

  • -Mascar certos vegetais ou mesmo cheirá-los, ou até mesmo comer ou beber, também faz parte do ritual de entrada de um xamã. Essa situação varia muitoi de pajé para pajé, de trabalho para trabalho, dependendo do objetivo visado. O importante é que eles, usando recursos tiotalmente naturais, provocam os mesmos efeitos de certos enteógenos.

  • -Chás ou pós de ervas, alucinógenos ou não, facilitam as viagens e a comunicação, com entidades de outros planos, bem como aguçam a paranormalidade.

  • Porções para mascar, feitas com plantas e raizes especiais, desenvolvem a sensibilidade do pajé e facilitam suas viagens, as quais poderão trazer soluções para os casos pendentes.

  • Cantos nativos produzem vibrações e facilitam contatos com outros pajés, pessoas ou outros seres invocados nos cânticos.

Dentro dessa estrutura a pajelança é associada a rituais de grande beleza e magia, qu extasiam a todos que se envolvem no processo de participação, ou mesmo como meros observadores.

Geralmente o pajé exerce uma influência muito grande sobre sseu povo - sua figura está para a tribo na mesma proporção em que o médico está para a comunidade. Isso faz com que sua importânciae destaque assumam uma responsabilidade toda especial sobre os problemas que afligem seu grupo. Por outro lado, como um médico, o pajé segue as normas e obedece as éticas moldadas pela sociedade., e não poderia deixar de assumir um arquétipo blinbdado para sua tribo. Dificilmente alguma coisa lhe é negada, e ele, com justiça, exerce o poder e goza de fama e do respeito de todos. Os pajés vivem bastante tempo, e os mais poderosos são chamados de sacaca por sinal, o mesmo nome de um conhecido vegetal da Amazônia Oriental, detentor de inúmeras utilidades.



fonte: http://www.xamanismo.com.br/Teia/SubTeia1192186946

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domingo, 6 de setembro de 2009

(Pintura de Alice Vilhena)
Documentário vai contar história do
mico-leão-dourado

Um documentário de 50 minutos produzido pela Discovery do Canadá e o National Film Board of Canadá vai mostrar a aventura de um casal de micos-leões-dourados que vive num zoológico de Washington (EUA) e tenta voltar para casa, no que ainda resta da mata atlântica, no Estado do Rio. O filme terá a distribuição internacional da Disney, consultoria científica da ONG brasileira Associação Mico-leão-dourado e a produtora Mixer, também brasileira.

No rastro do sucesso A Marcha dos Pingüins, que conquistou platéias com um roteiro que humanizava uma família de pingüins e um elenco de animais reais, o filme sobre o mico-leão-dourado mostrará a história de reintrodução de uma família de micos em área remanescente da mata atlântica, o seu hábitat natural.

Símbolo maior da luta de preservação ambiental no País, o mico-leão-dourado estava incluído na lista das espécies mais ameaçadas de extinção, numa situação crítica. Mas, graças aos programas de proteção ambiental das matas nativas e à reintrodução de animais nascidos em cativeiro, a espécie mudou para a posição “ameaçada”, com o aumento da população selvagem de micos.

O filme será rodado nos EUA e no Rio - onde há ainda trechos da mata atlântica original. “O grande desafio é costurar uma narrativa dotada de sentido, partindo do comportamento natural dos bichos”, diz a produtora executiva da Mixer, Eliane Ferreira. Estima-se um orçamento de R$ 6 milhões para a produção. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo


Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2008/02/21/documentario_vai_contar_historia_do_mico_leao_dourado_1199730.html

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OS MICO-LEÕES

MICO-LEÃO DOURADO


Comprimento: aproximadamente 32 cm
Cor: amarelo dourado
Peso: em média entre 400 e 700 gramas
Tempo de vida: em média 15 anos
Tempo de gestação da fêmea: 4 meses e meio.

  • O habitat deste animal no Brasil é a região montanhosa do sudoeste do Rio de Janeiro

  • Costuma brigar até a morte para defender seu território.

  • Tem hábito diurno e costuma viver em grupos de até 8 animais.

  • Alimenta-se principalmente de insetos frutas, lagartos, ovos de aves e pequenos pássaros.

  • A fase de reprodução da fêmea ocorre entre os meses de setembro a março. Ele costuma gerar de 1 a 3 filhotes.

  • Esta espécie está correndo risco de extinção. Porém a reprodução em cativeiro está apresentando resultados positivos.

  • Também são chamados de: sagui, sagui-piranga, mico e sauí.



MICO-LEÃO DA CARA DOURADA

Distribuição geográfica: Floresta tropical no sudeste da Bahia

Habitat: Floresta Atlântica

Hábitos alimentares: Frugívoro e insetívoro

Reprodução: Gestação de 125 a 132 dias

Período de vida: Aproximadamente 15 anos


- Alimentam-se de frutos, insetos, alguns fungos, pequenos vertebrados e ovos, além de certos exudatos de árvores (seivas e âmbares) e flores abundantes em néctar, que são características de florestas já bem formadas.

- Vivem por volta de quinze anos, e a maturidade sexual varia entre machos e fêmeas: 24 meses para eles, 18 para elas.

- Podem formar grupos que variam de 3 a 12 indivíduos, e normalmente as fêmeas são expulsas do grupo para formação de novos pólos familiares.


MICO-LEÃO DA CARA PRETA


Peso: 572 g
Comprimento: 38,8 cm
Ocorrência Geográfica: São endêmicos da Floresta Atlântica do estado do Paraná.


- Vivem em grupos familiares de 05 indivíduos, utilizando ocos de árvores e bromélias como abrigo. Sua alimentação consiste basicamente em insetos e frutos.

- Possuem uma gestação anual, com nascimento de 02 filhotes.

- As informações desta espécie ainda são escassas. Recentemente um dos micos passou a ser monitorado através de uma colar equipado com um sistema de radar. A partir daí, outros foram localizados: duas fêmeas com filhotes que vivem constantemente agarrados as costas das mães. Os pesquisadores acreditam que a população de micos-leão-da-cara-preta esteja em torno de 300 indivíduos, quantidade considerada muito pequena e que representa uma ameaça a sobrevivência da espécie.

- Cientista que descreveu: Lorini e Persson, 1990


MICO-LEÃO PRETO

Distribuição geográfica: Estado de São Paulo

Habitat: Floresta Atlântica

Hábitos alimentares: Frugívoro e insetívoro

Reprodução: 125 a 132 dias

Período de vida: Aproximadamente 15 anos

O mico-leão preto é um pouco menor que os outros Leontophitecus, e não é totalmente preto, pois costumam ter uma área alaranjada nas pernas traseiras.

São mais desconfiados e silenciosos, e talvez isto tenha sido a salvação para os grupos sobreviventes.

O mico-leão preto foi considerado extinto em 1905, e o desaparecimento desta espécie foi um dos grandes motivadores das pesquisas sobre a extinção nas terras brasileiras. Mas, na década de 1950, foram encontrados dois grupos vivendo no interior do estado de São Paulo, e imediatas medidas de proteção a estes raros sobreviventes começaram a ser feitas.

Eram cerca de cento e cinqüenta micos, mas isto dividido em duas populações muito afastadas umas das outras. De lá pra cá, consegui-se aumentar em cerca de dez vezes a população da espécie, mas ainda assim a perda de variedade genética, que pode proteger a espécie no caso de doenças ou de mudanças ambientais, foi muito grande e o mico-leão preto ainda corre enorme risco de desaparecer.

Texto de Ricardo Avari
Biólogo do CEMAS-CECFAU/FPZSP

Fontes:

http://www.zoologico.sp.gov.br/mamiferos/micoleaopreto.htm

http://www.zoologico.sp.gov.br/mamiferos/micoleaodecaradourada.htm

http://www.suapesquisa.com/mundoanimal/mico_leao_dourado.htm

http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./especie/fauna/index.html&conteudo=./especie/fauna/mamiferos/caissara.html

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domingo, 30 de agosto de 2009






Aquarelas prestam homenagem a comunidades indígenas

Novamente dispensa palavras...











Exposição de aquarelas Índios do Brasil, de Laky Gatti e M. Cafrruny. As artistas prestam uma homenagem à Semana dos Povos Índígenas com trabalhos que ilustram costumes, feições, adornos e cenas cotidianas de comunidades de Norte a Sul do país.

Elisabeth Laky Gatti e Marlene Cafrruny dedicam-se às artes plásticas desde a década de 1970, com ênfase na técnica de aquarela. Têm formação em cursos do Atelier Livre e do Museu de Arte do Rio Grande do Sul, entre diversos outros, trabalham em ateliês próprios e realizaram dezenas de exposições individuais e coletivas.

fonte: http://www2.camarapoa.rs.gov.br/default.php?reg=8589&p_secao=56&di=2009-04-09
(esta exposição realizou-se no período da Semana do índio - abril de 2009)
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009


História e cultura dos índios disponíveis no portal Domínio Público









Ministério da Educação (27/03/2008) - O portal Domínio Público pode ajudar professores e alunos a conhecer melhor a história e a cultura dos índios do Brasil. Além de documentos, artigos, teses, livros, poesias, o portal torna disponível para acesso, a partir desta quinta-feira, 27, a série Vias dos Saberes. São quatro volumes que abordam a temática indígena e étnico-racial. Todo esse acervo pode ser consultado gratuitamente. Professor e aluno podem se informar sobre a formação da identidade do povo brasileiro, por meio de uma diversidade de fontes e temas capazes de oferecer diferentes pontos de vista sobre a temática indígena.

O índio brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje é o título do primeiro dos quatro volumes da série Vias dos Saberes, escrito pelo autor Gersen José dos Santos Luciano. Nele, são discutidos, por exemplo, a identidade e a organização indígenas, o meio ambiente e a situação política dos índios, além da contribuição dos povos indígenas ao país e ao mundo.

O segundo volume trata da presença indígena na formação do Brasil e aborda o sistema colonial, a ação missionária e a resistência indígena. A obra chama-se A presença indígena na formação do Brasil e foi escrita por João Pacheco de Oliveira. O terceiro título discute a evolução dos direitos indígenas no Brasil desde a colonização portuguesa até os dias de hoje, passando pela criação da Fundação Nacional do Índio (Funai). O volume chama-se Povos indígenas e a lei dos “brancos”: o direito à diferença e foi escrito pela autora Ana Valéria Araújo.

O quarto e último título que compõe a série serve de instrumento para a formação de professores indígenas na área da linguagem. Em Manual de lingüística: subsídios para a formação de professores indígenas na área de linguagem, o autor Marcus Maia traz assuntos pertinentes ao professor indígena. A série Vias dos Saberes está disponível em forma de texto na categoria educação do portal Domínio Público.

Outras fontes – O aluno também pode baixar sem nenhum custo os primeiros romances brasileiros a incluir a figura do índio na literatura, como I Juca Pirama, de Gonçalves Dias, ou O Guarani, de José de Alencar. Caso o estudioso tenha interesse em consultar teses, dissertações, revistas e outras obras de não-ficção, poderá procurar, por exemplo, pelos volumes da revista de História Regional. No número 2 do volume 5, o estudante poderá se informar sobre a educação de indígenas e luso-brasileiros pela ótica do trabalho. Já na tese de doutorado da aluna Jaci Vieira, da Universidade Federal de Pernambuco, é possível pesquisar sobre a ocupação de terras indígenas em Roraima.

Lei – O estudo da história do povo indígena no Brasil deve ser obrigatoriamente incluído no currículo escolar, de acordo com a Lei nº 11.465/08, sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e publicada no Diário Oficial da União em 11 de março. A lei altera um artigo da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e substitui a Lei nº 10.639/03, que já previa a inclusão da temática afro-brasileira nos currículos das redes de ensino. Agora, todas as escolas de ensino fundamental e médio, tanto públicas quanto privadas, devem conferir o mesmo destaque ao ensino da história e cultura dos povos indígenas. De acordo com a nova lei, todas as disciplinas, especialmente história, geografia e literatura, devem incorporar a contribuição dos negros e indígenas à cultura brasileira.

Maria Clara Machado

Fonte -http://thiniafulnio.com.br/1/index.php?option=com_content&task=view&id=21&Itemid=9

quinta-feira, 13 de agosto de 2009



Este e outros vídeos estão aqui no site:
VÍDEO NAS ALDEIAS
http://www.videonasaldeias.org.br/2009/index.php

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É TUDO VERDADE:

Após 20 anos, diretor
revê luta dos
índios Corumbiara








A naturalidade com que a câmera entra no protegido universo dos índios Corumbiara é o grande triunfo do documentário
Corumbiara, de Vincent Carelli, integrante da mostra competitiva do É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários. O cineasta e indigenista retoma o massacre ocorrido em 1985 e refaz uma trajetória de vinte anos cujos efeitos se refletem no presente.

Carelli consegue a confiança dos índios, o que é fundamental para amenizar e naturalizar a presença da câmera. Ela registra o cotidiano, o idioma, os métodos, o comportamento, o medo e a luta de uma família de quatro pessoas, únicas restantes de uma etnia.

O trabalho do documentarista começou em 1986, quando ele foi para Rondônia buscar provas do massacre dos índios, no qual o Estado, recém saído das mãos dos militares, se omitiu inteiramente. "Com esse tema, conseguiria dar ao vídeo a função de militante", diz o cineasta no início do documentário.

Essa foi a perspectiva inicial de Carelli. Os anos se passaram, muitas frustrações e alegrias entraram na conta do cineasta. E o trabalho que ele apresenta em Corumbiara é o recolhimento das imagens acompanhadas de reflexão e análise, em primeira pessoa, das experiências vividas e da situação política do índio no Brasil.

A respeito das imagens como registro, o cineasta consegue imagens valiosas de um pedaço que ajuda a entender o que é o Brasil. Para um espectador urbano, o filme apresenta, sem romantismos, como eles tentam tirar os males interiores, se aproximam de quem querem casar, suas rixas e a alegria de reencontrar parentes que consideravam mortos. Documento, registro em imagens.

Mas há a outra perspectiva, que não pertence ao passado, mas sim à História, ou seja, em mutação. Trata-se da preservação de seus espaços, a manutenção de reservas, a destruição causada pelos latifundiários, madeireiros e plantadores de soja. Nos últimos 20 anos, Carelli fez diversas investidas para provar, como cinegrafista, o quão prejudicados têm sido os índios.

Ameaças à bala, corrupção, poder político, silêncio dos moradores são alguns componentes que explicam porque os proprietários de fazendas não são punidos. E isso se reflete ao longo das quase duas horas de Corumbiara. Discussão mais que atual, já que o STF decidiu pela manutenção recentemente pela manutenção da reserva Raposa Serra do Sol.

O documentário tem um tom similar ao emocionante Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho, que volta após 20 anos para documentar os personagens militantes que participaram de uma experiência artística. Corumbiara tem a mesma habilidade narrativa e duas grandes portas de entrada: o registro de uma parte do Brasil e os caminhos políticos. A decisão é do espectador.

Heitor Augusto - 27/03/2009

Fonte: http://cinema.cineclick.uol.com.br/noticia/carregar/titulo/e-tudo-verdade-apos-20-anos-diretor-reve-luta-dos-indios-corumbiara/id/22705
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sábado, 8 de agosto de 2009




  • "As diferenças superficiais entre os homens
  • encobrem uma unidade profunda."

  • (Claude Lévi-Strauss;
    antropólogo)
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sexta-feira, 31 de julho de 2009


CURUMIM

Preserve tua vida
inocência
tua vida permanência





NA LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA

Há hoje no Brasil 69 referências de povos isolados espalhados pela Amazônia Legal. Todos estes povos – ou frações de povos – estão reduzidos a pequenos grupos, gravemente ameaçados pelas frentes de expansão e exploração na Amazônia e pela ação ilegal de madeireiros, posseiros, missionários e garimpeiros.

É importante ficar claro que o termo “índio isolado” não significa que esses indígenas nunca tiveram contato com a sociedade nacional, mas sim que optaram pelo isolamento, muito provavelmente, após experiências traumáticas vividas no passado.

Quantificar esses povos é tarefa complexa e cheia de imprecisão. Notícias diversas, relatos de confrontos são os indícios que constroem a informação de uma população indígena desconhecida e possivelmente sem contato. A partir daí, cabe a Funai averiguar in loco as informações, procurando indícios e provas materiais – como sinais de acampamentos, objetos utilizados abandonados, caminhos na mata – para que a identificação legal da área como Terra Indígena seja feita.

Hoje, com uma nova política de atuação, a Funai tem uma coordenação específica – a Coordenação Geral de Índios Isolados – responsável por planejar, normatizar e supervisionar as atividades relacionadas aos índios isolados no âmbito governamental. A execução fica a cargo das Frentes de Proteção Etnoambiental, que exercem em campo as políticas públicas de localização e proteção de grupos isolados e de contato recente.

Conversei com o responsável pela área, o historiador e indigenista Elias Bigio, para entender melhor a atuação da Funai com índios isolados, as ameaças vividas por esses povos e os desafios para um futuro em que se respeite essa opção pelo isolamento.

Qual a situação dos índios isolados no Brasil?

Elias Bigio: O sistema de proteção para índios isolados no Brasil foi criado no final da década de 1980, no contexto da discussão da Constituinte. Era o momento de discussão de formas de garantir direitos aos povos indígenas no Brasil. Foi aí que começou uma discussão sobre respeitar a opção de índios que não quereriam contato com a sociedade nacional. Foi nesse contexto, então, que foi criado um sistema de proteção aos índios isolados no Brasil.

Hoje, 21 anos depois, estamos trabalhando com 69 referências de grupos isolados espalhados pelos estados da Amazônia Legal. Dessas referências, nós temos cinco povos contatados e nosso trabalho é proteger seu espaço físico e regularizar sua terra para que eles possam fazer sua reprodução física e cultural, de acordo com o que determina a legislação.

E como está a situação das terras para esses povos?

EB: Independentemente de ter contato nós temos terras indígenas demarcadas para isolados e também temos terras com restrição de uso. Ou seja, é um território que ainda está em processo de regularização, mas que já está sendo monitorado, como é o caso da terra dos índios Piripkura, contatados em 2007, ente os municípios de Colniza e Rondolândia, no Mato Grosso. Apesar de termos poucas terras para índios isolados já demarcadas, a maioria desses povos de que temos referência estão contemplados nesses territórios.

O que levou a Funai a fazer contato com esses índios Piripkura, em 2007?

EB: Veja, em todo o século 20, a estratégia era de contato. Tanto é que tínhamos as Frentes de Atração, ou seja, eram grupos treinados para atrair os índios e integrá-los à sociedade. Isso muda radicalmente e legalmente a partir de 1987/88, quando a política passa a ser a de respeitar a autonomia desses povos e seu desejo de não manter um contato regular com a sociedade nacional.

Então, nos dias de hoje, só se faz contato com grupos que estão em situação muito vulnerável. E esse era o caso desses Piripkura. Eles estavam numa situação de muita vulnerabilidade, pois a terra que eles ocupavam ficava no limite entre os municípios mato-grossenses de Rondolândia e Colniza, apontada como a cidade mais violenta do país. É uma área de intensa exploração madeireira e por isso essa terra vive uma pressão muito forte. Então, nós não tínhamos como não fazer esse contato. Foi um contato para garantir a sobrevivência e a segurança desses índios. E mesmo após o contato, nós não temos uma relação frequente com eles, até porque eles não querem. De 2007 pra cá, nós fizemos três contatos com eles apenas, para ver como estavam de saúde, já que são apenas dois índios. Instalamos nessa região, uma base onde fica a equipe da Frente de Proteção Etno-Ambiental do Madeirinha, essa equipe faz uma fiscalização diuturna nessa região para não haver invasão nessas terras. Paralelamente, o Ministério Público do MT entrou com uma ação na Justiça Federal para garantir a extrusão e a paralisação da exploração madeireira no local.

Hoje, qual a principal ameaça para esses povos?

EB: É sem dúvida a atuação ilegal. Seja ela de madeireiros, narcotraficantes, posseiros… Como nós estamos, prioritariamente, em regiões de fronteira, onde a presença do Estado não é tão forte, essa acaba sendo a maior vulnerabilidade.

E grandes empreendimentos, como os propostos no Programa de Aceleração do Crescimento, do presidente Lula?

EB: Eu acho que existe um espaço para que os órgãos governamentais se articulem e planejem ações para mitigar e proteger os povos indígenas nesses casos, sejam eles isolados ou não.

Então, você acha que não há problemas com a construção das hidrelétricas do Madeira, por exemplo, mesmo tendo referências de índios isolados lá?

EB: Existem referências de povos indígenas isolados sim naquela região, mas as hidrelétricas não estão dentro das terras indígenas. Porém, certamente, elas trarão impactos aos povos indígenas – já contatados ou não. Mas cabe à Funai implantar projetos de proteção àquelas terras indígenas. E já dentro desse contexto de expansão que está havendo no Amazonas, nós reativamos a Frente Purus, porque ali tem muita referência de índios isolados nas duas margens do Madeira. Então, essa Frente vai nos ajudar a proteger esses povos.

Na sua opinião, é possível então aliar o dito “progresso” com a garantia dos direitos indígenas?

EB: Nós não temos como fugir disso. Vamos ter que pensar no desenvolvimento do país, mas sem deixar de lado os direitos dos povos indígenas. Até porque a legislação brasileira nos obriga a atuar na garantia dos direitos desses povos. E é isso que vamos fazer. É nosso grande desafio.

Uma política efetiva de povos isolados só quem tem é o Brasil. E essa referência tem sido discutida em fóruns internacionais, inclusive. Estamos pensando estratégias de garantir a opção de esses povos viverem isolados. Então, nossa perspectiva é de identificarmos as áreas de ocupação desses índios e fazer demarcações. Assim, garantiremos um futuro para que esses povos continuem tendo a opção de se manter longe do contato, independentemente de grandes obras e expansões.

Mas não ficará mais complicado o processo de demarcação de terras indígenas depois das exigências e pedidos de alteração do processo demarcatório pelo STF, após o julgamento da Raposa?

EB: Veja, o que está em vigor é o decreto 1775/96, que regula os procedimentos de demarcação de terras indígenas. Nada mudou. Talvez aconteça alguma mudança, mas eu acho que existem movimentos em favor de se assegurar os direitos indígenas. Por isso, ainda não vejo essas questões colocadas pelo STF como um obstáculo para as demarcações e consequentemente para a garantia dos direitos desses índios viverem em seus territórios, longe do contato com a sociedade nacional.


Fonte: http://christianeperes.wordpress.com/


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RIOS AMAZÔNICOS / ÁGUAS GRANDES

Cabem em mim, bem fundo
com suas águas muitas
lambendo a quentura
banhando lembranças
amamentam versos
arrebentam verdes
arrebatam gentes
afundando cores

dulcíssimas águas
que habitam em mim
são guerreiras águas
navegam em meus poros
onde quer que eu vá

inundando a mente
inundando as margens
inundando a mata
banhando quenturas
lavando lembranças

poderosas águas
as de minha infância
de selva, de mato
de banhos gelados
nos igarapés
caminhos- canoas
emergindo líquidos
nessa maré cheia
de encantarias
arrebatadoras

águas grandes águas
grandes águas grandes

Aline de Mello Brandão

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domingo, 26 de julho de 2009

A IRA DOS IKAIRITI

26 06 2009

Segundo a crença Enawenê-Nawê, os Yakairiti são os “espíritos do subterrâneo”. São eles, os responsáveis por todas as coisas ruins que acontecem na vida desses índios que habitam o noroeste do Mato Grosso.

Digo isso, porque a aldeia vive dias tristes com a morte de uma das principais figuras desse povo, o velho Kawali. Segundo a crença Enawenê-Nawê, a morte do seu sotakatare (mestre dos cantos) deve ser mais uma demonstração da ira dos Yakairiti. 2009 não começou bem para os Enawenê. Após um período de resistência no fim do ano passado para impedir a construção de dez Pequenas Centrais Hidrelétricas no rio Juruena, esse ano teve início com uma epidemia de malária entre os índios e a pesca do Yãkwa – principal ritual do grupo – foi um fracasso. Mau sinal.

Kawali, na verdade, morreu sozinho em sua roça, no dia 24, quarta-feira, vítima de uma mordida de cobra. Ainda não se sabe como isso tudo influenciará a rotina desses índios que se guiam pela fé e pelo medo e buscam incansavelmente o equilíbrio com a natureza. Em 2006, quando pude compartilhar a vida por uns dias com os Enawenê-Nawê, Xayoene, um dos índios que conversou comigo, numa frase me deu a dimensão do significado do Yãkwa e da necessidade de agradar os Yakairiti. Ele disse: “Os Yakairiti ficam bravos e vão matar todos e trazer doenças, se alguém deixar de plantar mandioca e de trazer o peixe.”

Que este seja o fim da ira dos Yakairiti sobre os Enawenê. Um povo alegre, amigo e cheio de garra pra lutar pelos seus ideais.

Abaixo, compartilho um texto publicado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) sobre a morte de Kawali.

Morre Kawali, grande líder político e espiritual do

povo Enawene Nawe

Por Ana Paula Lima Rodgers, Edison Rodrigues de Souza, Juliana de Almeida e Vincent Carelli


Os Enawene Nawe sofreram um duro golpe. No dia 24 de junho faleceu Kawali, um dos representantes mais expoentes desse povo, aõre (líder) e sotakatare (mestre de cantos). Sem dúvida um dos maiores virtuoses dos últimos tempos de sua própria e complexa cultura. Mestre ímpar na arte da palavra, cantada ou falada, Kawali dominava excepcionalmente os caminhos da eloqüência musical e retórica, condições que inevitavelmente o talharam como um grande chefe desde muito cedo. Essa tragédia se coloca num contexto difícil e controverso da atual conjuntura. Líder político e espiritual, Kawali era a figura que mais lutava pela demarcação do Adowina (Rio Preto) e resistia frente aos complexos problemas relacionados à implantação de hidrelétricas no Juruena. Sozinho em sua roça, ele não resistiu a uma mordida de cobra e quando foi encontrado já não tinha mais vida. Os últimos tempos têm sido de muita efervescência para o povo Enawene Nawe. A intensificação do contato somada à necessidade de se relacionar com os eventos da exterioridade tem causado muitos tumultos, incertezas, desavenças e contradições. O primeiro golpe que os Enawene Nawe sofreram em 2009 foi uma epidemia de malária que acometeu quase 35% da sua população. A epidemia só foi contida após três meses da ocorrência dos primeiros casos. Nesse mesmo período os Enawene Nawe saíram para as tradicionais barragens de pesca do ritual Iyaõkwa. Para surpresa e angústia de todos um fato assolou a pescaria: acostumados com uma grande quantia de pescado que eles acessam todos os anos por meio das barragens, desta vez o peixe não veio. Desesperados com a situação os Enawene Nawe apelaram para a assistência da Funai que adquiriu três mil quilos de tambaqui. Mesmo com o apoio da Funai a quantidade de peixe foi muito abaixo da necessária para a realização das trocas cerimoniais do ritual e conseqüentemente irrisória para atender à demanda alimentar dos Enawene Nawe. A falta dos peixes os deixou com precária alimentação simbólica e orgânica, para eles um prenúncio da ira de espíritos que não aceitam a ausência de farta oferenda de peixes. Grande perda Pessoa de extrema generosidade, o falecimento de Kawali não representa apenas uma perda insubstituível, se trata de um evento que somado às pressões de várias frentes desenvolvimentistas no entorno de seu território coloca o povo Enawene Nawe em uma condição de extremo cuidado, pois os priva do sábio filósofo das florestas do Juruena. “Sou eu quem não dorme à noite”, diria o grande sotakatare referindo-se à dura vigília e destino de seu ofício. Recado dos espíritos Yakaliti ou triste acaso do destino, a morte de Kawali representa uma grande perda. Sua sabedoria e carisma, sempre acompanhados de uma boa dose de ironia e argúcia extremas, com certeza deixarão saudades aos familiares, a todo o povo Enawene Nawe e a todos aqueles que de alguma maneira puderam gozar o privilégio de estar junto a ele. Que nos deixemos todos contagiar pela disposição e sabedoria incomparáveis do mestre, que através de arte e conhecimento soube praticar a grande e singular resistência exercitada há séculos pelas populações tradicionais de nosso país.

fonte: http://christianeperes.wordpress.com/



CURUMIM - ENAWENE NAWE

Palavras são dispensáveis!








quinta-feira, 16 de julho de 2009


YÃKWA

Festa ritual dos
índios
Enawene-
Nawe






Festa ritual dos índios Enawene-Nawe em homenagem aos espíritos subterrâneos - donos dos recursos naturais e das doenças. É realizada depois que uma série de catástrofes provocadas pela ação dos espíritos subterrâneos, sob a forma de ataques de onças, monstros aquáticos, tribos inimigas e epidemias quase os dizimou totalmente.

A etnia
Os Enawene-Nawe moram na aldeia Matokodakwa - noroeste do Mato Grosso (Brasil). Também são conhecidos como os Salumãs. Nas suas crenças são descendentes de um único casal de seres humanos, suas tribos ancestrais originalmente habitavam o interior de uma pedra e, graças ao auxílio de um pica-pau, que fez um buraco na pedra abrindo uma passagem ao mundo exterior, eles se espalharam pela superfície da terra.
São muito bem humorados.

Os costumes
Mudam com freqüência de aldeia. A mudança geralmente é provocada pelo esgotamento dos solos em seus arredores, somado ao acúmulo de defuntos enterrados sob o chão das casas – o que atrai perigosamente os espectros sinistros dos mortos. Entre outras atividades as mulheres cuidam das roças e os homens das pescarias.
Dentro de sua cosmogonia o mundo tem 4 camadas: a terra; acima da terra onde ficam os Enores; acima dos Enores, a vastidão universal; e abaixo da terra, os Yakairitis.

A festa. Yãkwa

Alguns índios nos esperavam na margem direita de quem desce o Rio Iquê. Na nossa chegada conversas rápidas e ajustes nos enfeites corporais de fibra de buriti. Um deles assume o controle do barco e fomos rio acima numa quase corrida fluvial.
No porto mais próximo da aldeia alguns Hari-Kares (anfitriões), jovens e crianças esperavam os Yãkwas – pescadores. Ali são descarregados os peixes moqueados envoltos em peças de taquara e transportados em cestos nas cabeças dos índios. Velhos, jovens e crianças caminham em fila até avistarem a aldeia. Com gritos, sons e cantos uma nova energia toma conta dos pescadores.



Na subida final a tensão aumenta. Logo em frente os Yãkwas entram na aldeia carregando cestos e estandartes - um peixe moqueado na ponta de um galho. Neste caminho são presenteados com cuias de mingau. Grupos de meninas e mulheres esperam ao lado das malocas.



No centro da aldeia os pescadores Yãkwas são recebidos pelos Hari-Kares já enfeitados com fibras de buriti e adornos plumários.
A recepção é uma topada de peito com peito. Não é uma briga. É uma troca de sensações: chegando e deixando chegar depois de mais de 40 dias pescando em rios distantes da aldeia. O receber inclui a produção de beijus, sal vegetal (feito de folhas das palmeiras – função feminina), enfeites, flautas e mingaus.



Também construir a fogueira principal cercada por estacas, em círculo, no meio da aldeia. Nas estacas são amarradas peças feitas com resinas vegetais e envoltas com folhas de pacova. Quando acesas viram tochas perfumadas e determinam um palco/círculo.


No período da vazante dos rios, as tardes e noites da Aldeia Matokodakwa são envolvidas no som inebriante de várias flautas, cantos e danças agradecendo a pescaria e a boa safra.

Texto e fotos de Juvenal Pereira
fonte: http://caxiuna.blogspot.com/2007/09/ykwa.html


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UM SOPRO

Venho de terra distante
De fogo que queima o céu
De vento que lança semente
De lança que atinge o infinito
Venho de um brado rompante
Que risca o vale e os montes
De águas que aplacam mil sedes
Suspiros de grandes lutas vencidas
Venho de onde vem o universo
Venho anunciando a mudança
Trazendo comigo a farta herança
De todos os seus ancentrais

Lena Ferreira

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segunda-feira, 13 de julho de 2009




Espécies ultrapassam 200 no Coluene, alerta pesquisador


O rio Coluene, na bacia do Xingu, tem um universo 10 vezes maior de espécies que os peixes conhecidos há bem pouco tempo. Um dos principais pesquisadores da área no Estado, Flávio Lima, eleva em mais de 200 o número de espécies conhecidas no rio desde 2006, quando contava-se cerca de 20 tipos diferentes. O trabalho, que tem o objetivo de conservar essa diversidade, é um dos destaques no XVIII Encontro Brasileiro de Ictiologia, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

O levantamento de inventários realizado pelo pesquisador, além de base para futuros estudos, é essencial para se avaliar possíveis impactos na fauna aquática de construções como as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH’s), empreendimentos estratégicos para a política energética do Estado e do país.

No Brasil, existem mais de mil espécies de peixes catalogadas, e duas novas são registradas a cada semana. No rio Culuene, segundo Lima, a pesquisa colheu 30 mil exemplares de peixes e revelou que ainda falta catalogar até seis espécies novas neste que é o principal contribuinte da bacia do Alto Xingu – e sagrado para as etnias indígenas do local. No rio, distante a cerca de 50 quilômetros de aldeias xavantes, está instalada a PCH Paranatinga II, de aproximadamente 29 mil quilowatts, entre os municípios de Paranatinga e Campinápolis.

Os levantamentos de inventários ictiológicos são essenciais para a preservação da biodiversidade antes da construção de empreendimentos como as barragens hidrelétricas. Por mais que eles sejam projetados de modo a evitar grandes danos, sempre oneram o meio ambiente, segundo Lima. ”As hidrelétricas significam perdas inevitáveis de diversidade. Construí-las funciona como desmatar uma floresta. As espécies que ficam são apenas uma fração das que foram dizimadas”.

Em Mato Grosso, a polêmica em torno dos prejuízos ambientais foi levantada no ano passado, quando cerca de cem índios da etnia Enawenê Nawê saquearam e incendiaram a PCH Telegráfica, uma das cinco obras de hidrelétricas em andamento ao longo do rio Juruena. Os índios alegavam que a construção das usinas - licenciadas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) – comprometeria a biodiversidade do rio, de onde tiravam parte significativa de sua alimentação.

“As hidrelétricas em série comprometem totalmente a fauna aquática. Mas as pessoas não encaram os rios como ecossistemas e os empresários os enxergam como recursos a serem aproveitados. A legislação ambiental é um verniz”, lança Flávio Lima.

Para o doutor Francisco de Arruda Machado, do departamento de botânica e ecologia da UFMT, as obras de PCH’s separam orçamentos pífios para estudos prévios de impacto em Mato Grosso, Estado que detém importantes cabeceiras das bacias Platina e Amazônica Meridional.

Renê Dióz

Fonte: http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=337915

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04/03/2008

Estudos de impacto de hidrelétrica no Xingu são suspensos e índios voltam a exigir fim de usinas




Representantes Ikpeng reúnem-se com governo federal para discutir Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) na região das cabeceiras do Xingu depois de liberar 14 reféns. Lideranças xinguanas vão consultar comunidades sobre continuidade dos estudos da PCH Paranatinga II

Mais de 80 índios do Parque Indígena do Xingu, incluindo cerca de 70 guerreiros Ikpeng, conseguiram do governo a suspensão temporária dos estudos complementares sobre os impactos ambientais da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Paranatinga II. A reivindicação foi atendida depois de uma reunião na sede da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Brasília, entre quinta e sexta-feira, com representantes de vários órgãos do governo federal. A usina começou a funcionar para testes há algumas semanas no Rio Culuene, um dos principais formadores do Xingu, entre os municípios de Campinápolis e Paranatinga (MT), ao sul do parque.

A realização do encontro foi uma exigência dos Ikpeng em troca da libertação de 14 reféns em negociação feita diretamente com o presidente da Funai, Márcio Meira. Do dia 20 ao dia 25, ficaram retidos na aldeia Moygu seis funcionários do órgão e oito consultores da Paranatinga Energia S.A., que coletavam dados sobre os efeitos para os povos indígenas da barragem, de responsabilidade da empresa. Todos foram soltos e levados para Cuiabá.

Além dos Ikpeng, participaram da audiência em Brasília representantes de outras etnias, como os Kuikuro, Kamaiurá, Waurá, Kaiabi, Kalapalo e Yawalapiti. Agora eles voltarão às suas comunidades para consultá-las sobre a continuidade dos estudos. Se forem autorizados, eles serão retomados com técnicos indicados pelos índios em acordo com a Funai. As lideranças xinguanas pretendem manifestar-se novamente só quando tiverem em mãos as conclusões das pesquisas complementares ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) da PCH feitas até agora.

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Estudos

De acordo com a Paranatinga, os consultores estavam coletando mais dados para definir medidas de compensação às comunidades indígenas e já teriam visitado nove etnias quando foram feitos reféns. A equipe de especialistas começou a expedição pelo Culuene na primeira semana de fevereiro. Segundo as assessorias da empresa e da Funai, o grupo teria a autorização dos índios para entrar em suas terras.

O cacique Managu Ikpgeng admite que teve conhecimento do radiograma que comunicava a vinda dos pesquisadores, mas afirma que a Funai não informou que eles eram contratados pela Paranatinga e que a comunidade não teve tempo de se pronunciar a respeito. “Só ficamos sabendo que eram técnicos da empresa quando já estavam em área. Por isso ficamos irritados. Não estamos sendo informados direito sobre esses estudos e suas conclusões”. Os Ikpeng afirmam que vêm tentando negociar com o governo, mas sem sucesso, e não tiveram alternativa além de fazer os reféns para tentar impedir que mais usinas sejam construídas na região. Managu confirma que seu povo não recebeu os relatórios dos estudos complementares da PCH e que vai seguir lutando contra o seu funcionamento e a instalação de novas usinas no Xingu.

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Matéria completa: http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=2618

Entrevistas com índios de 24 etnias de Mato Grosso - além de entidades missionárias e Ong's -

revelam que a terra ainda é a principal demanda dos povos indígenas do Estado.
Invasões, ocupações irregulares, obras de infra-estrutura que causam impacto às áreas demarcadas e fortes pressões econômicas estão a ameaçar o futuro das etnias.




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quinta-feira, 9 de julho de 2009


"NÃO HERDAMOS ESTE MUNDO

DE NOSSOS ANTEPASSADOS,
NÓS O RECEBEMOS
EMPRESTADO DE NOSSOS
DESCENDENTES."

Fonte: http://blogprojetoaracai.blogspot.com/

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COMO SURGIRAM AS ESTRELAS






Era um tempo de grande seca para as tribos e não havia alimento. As índias reunidas saíram em busca de comida para os maridos e os filhos.

Procuraram por todo o lugar, mas não viam caça, nem fruto, nem nada para comer. Então resolveram levar junto um grupo de curumins para darem sorte.

E deu certo. Logo acharam um grande milharal em que as espigas não haviam sido atingidas totalmente pela seca. Ali, puderam encher os cestos com espigas amarelinhas.

Os curumins também ajudaram a colher o milho, mas ficaram com fome e voltaram antes para tribo, carregando uma boa parte.

Na tribo, pediram para a avó fazer um bolo. Ela fez e não demorou a comerem tudinho. Só ficaram as migalhas que os pássaros devoraram.

Quando terminaram ficaram com vergonha. Como podiam ter comido tudo sozinhos quando todos estavam com fome?

Com medo de que as mães os repreendessem, eles trataram de fugir. Pediram para o colibri que amarrasse no céu o maior cipó que encontrasse, e por ele começaram a subir.

Quando notaram o sumiço dos curumins, as índias ficaram preocupadas e voltaram correndo para a tribo. Quando chegaram, viram os curumins subindo o cipó.

Assustadas, elas começaram a subir também os cipós para salvar os curumins, mas eles estavam cada vez mais alto.

O cipó não era forte e rompeu com o peso. As índias caíram no chão, transformando-se em onças. Os curumins, que já estavam no céu, não conseguiram mais voltar.

Assim, durante a noite, da tribo, quem olhasse para o céu ainda podia ver os pontinhos brilhantes dos olhinhos dos curumins, transformados em grandes estrelas.

Esta e outras lendas indígenas foram pesquisadas e elaboradas em site pelos alunos de uma Escola Pública de Porto Alegre - RS

fonte:http://websmed.portoalegre.rs.gov.br/escolas/montecristo/03almanq/lendas.htm


  • "Para nós indígenas, a palavra é de grande valor.

  • É através das histórias contadas pelos mais velhos
  • que mantemos viva a nossa identidade
  • e firme a memória da nossa história,
  • o uso e o cuidado com a nossa terra sagrada.

  • Mas, descobrimos nesses 500 anos de colonização
  • que para os não-índios
  • a palavra não vale nada."

  • (
    Carta do Ororubá; IV Assembléia Geral do povo Xukuru do Ororubá)
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