sábado, 17 de outubro de 2009


PAJELANÇA - O XAMANISMO BRASILEIRO

É provável que a palavra Pajé venha da raiz pa-y = profeta, adivinho, curador, sacerdote, xamã. O termo pajelança é aplicado nas manifestações xamânicas dos índios brasileiros. Pode ser divido em pajelança indígena (rituais indígenas) e pajelança cabocla, que são praticas religiosas (não índígenas) mais comuns no Noorte e Nordeste brasileiro.

Há anos atrás, o amigo Walter Vetillo foi a Belém fazer uma reportagem para a Revista Planeta, cobrindo o VI Congresso Brasileiro de Parapsicologia e Psicotrônica onde se realizaou um Encontro de Pajés. Parte da mátéria transcrevo abaixo :

Afinal...quem são os pajés ?

Existe muito pouca coisa publicada no Brasil sobre este fascinante assunto. Uma contribuição preciosa foi o depoimento do estudioso dos mistérios amazonenses, Antonio Jorge Thor. Thor comenta o xamanismo e a pajelança :

" Um aspecto curioso deste assunto é que nos Estados Unidos, quando se fala em xamanismo, muitas linhagens dos xamãs são mulheres No Brasil não; aqui pajé é sempre somente do sexo masculino - primeira geração, que passa de pai para filho. Para sser um pajé, o candidato deve ser um paranormal e médium ao mesmo tempo. Ou seja, dve ter muitas força mental (paranormalidade) e a mediunidade, que mexe com a bioenergética, com as partículas biocósmicas (provocam a expansão da consciência fora da matéria, o espírito por exemplo), enfim aquela coisa da espiritualidade.

Entre as diversas tribos, como os Kraôs, caiapós e gaviões, varia muito o conceito de pajelança, mas eles tem alguma coisa em comum: o misticismo , o segredo. Você as vezes passa um longo tempo para conseguir uma informação, um segredo, como por exemplo, sobre um não-alucinógeno para você sair com facilidade do corpo (desdobramento) . O pajé penetra na área da encantaria, uma outra vertende da grande magia que pouca gente conhece., que é passar para uma outra dimensão e e muitos dele quando retornam dessa experiência , voltam curados. Eu fui iniciado pelas mãos de uma curandeira de terceira geração que foi tratada pelos pajés. Doente, ela passou algum tempo desaparecida e quando retornou, além de curada veio com dons incríveis.

A pajelança é uma forma de magia nativa da Amazonia, tipicamente indutiva, atuando sobre qualquer elemento vivo e mantendo estreita relação com os demais reinos da natureza: mineral, vegetal e animal. É praticada por curandeiros (principalmente pelos pajés da Amazônia), com base no xamanismo indígena .

Pelas suas ações, o xamã tenta estabelecer contato com outras formas de existência através de comunicações com entidades sobrenaturais, procurando restabelecer o equilíbrio perdido entre a natureza e a mente. Esse processo envolve curas, exorcismos, e outrois atos com objetivos diversos.

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A verdadeira pajelança é restrita a uma minoria que ostenta os segredos e poções mágicas que rejuvenescem, curam, matam, provocam viagens astrais e outras grandes iniciações. Atualmente, existem poucos pajés desse tipo no Brasil. A presença da mulher é vedada.


Um elemento indispensável na pajelança é o maracá. O maracá de um xamã é recebido ou confeccionado durante a iniciação, sendo, portanto, sagrado para ele. em alguns casos é passado de pai para filho; ou ainda, o "escolhido" é induzido a achá-lo mediante as regras impostas pelo ritual de iniciação..

Outro elemento fundamental é o tauari , uma espécie de charuto natural semi-oco que ajuda o pajé a defumar o local ou a pessoa em questão. O charuto, com sua fumaça cheirosa, objetiva imantar o ambiente e criar uma atmosfera toda especial, para facilitar os cantatos que o pajé queira fazer.


Se o maracá e o charuto, são importantes para um pajé, pois assumem significados sagrados em suas mãos, existem outros elementos secundários uisados ao lçongo dos trabalhos desenvolvidos.

  • -Mascar certos vegetais ou mesmo cheirá-los, ou até mesmo comer ou beber, também faz parte do ritual de entrada de um xamã. Essa situação varia muitoi de pajé para pajé, de trabalho para trabalho, dependendo do objetivo visado. O importante é que eles, usando recursos tiotalmente naturais, provocam os mesmos efeitos de certos enteógenos.

  • -Chás ou pós de ervas, alucinógenos ou não, facilitam as viagens e a comunicação, com entidades de outros planos, bem como aguçam a paranormalidade.

  • Porções para mascar, feitas com plantas e raizes especiais, desenvolvem a sensibilidade do pajé e facilitam suas viagens, as quais poderão trazer soluções para os casos pendentes.

  • Cantos nativos produzem vibrações e facilitam contatos com outros pajés, pessoas ou outros seres invocados nos cânticos.

Dentro dessa estrutura a pajelança é associada a rituais de grande beleza e magia, qu extasiam a todos que se envolvem no processo de participação, ou mesmo como meros observadores.

Geralmente o pajé exerce uma influência muito grande sobre sseu povo - sua figura está para a tribo na mesma proporção em que o médico está para a comunidade. Isso faz com que sua importânciae destaque assumam uma responsabilidade toda especial sobre os problemas que afligem seu grupo. Por outro lado, como um médico, o pajé segue as normas e obedece as éticas moldadas pela sociedade., e não poderia deixar de assumir um arquétipo blinbdado para sua tribo. Dificilmente alguma coisa lhe é negada, e ele, com justiça, exerce o poder e goza de fama e do respeito de todos. Os pajés vivem bastante tempo, e os mais poderosos são chamados de sacaca por sinal, o mesmo nome de um conhecido vegetal da Amazônia Oriental, detentor de inúmeras utilidades.



fonte: http://www.xamanismo.com.br/Teia/SubTeia1192186946

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domingo, 6 de setembro de 2009

(Pintura de Alice Vilhena)
Documentário vai contar história do
mico-leão-dourado

Um documentário de 50 minutos produzido pela Discovery do Canadá e o National Film Board of Canadá vai mostrar a aventura de um casal de micos-leões-dourados que vive num zoológico de Washington (EUA) e tenta voltar para casa, no que ainda resta da mata atlântica, no Estado do Rio. O filme terá a distribuição internacional da Disney, consultoria científica da ONG brasileira Associação Mico-leão-dourado e a produtora Mixer, também brasileira.

No rastro do sucesso A Marcha dos Pingüins, que conquistou platéias com um roteiro que humanizava uma família de pingüins e um elenco de animais reais, o filme sobre o mico-leão-dourado mostrará a história de reintrodução de uma família de micos em área remanescente da mata atlântica, o seu hábitat natural.

Símbolo maior da luta de preservação ambiental no País, o mico-leão-dourado estava incluído na lista das espécies mais ameaçadas de extinção, numa situação crítica. Mas, graças aos programas de proteção ambiental das matas nativas e à reintrodução de animais nascidos em cativeiro, a espécie mudou para a posição “ameaçada”, com o aumento da população selvagem de micos.

O filme será rodado nos EUA e no Rio - onde há ainda trechos da mata atlântica original. “O grande desafio é costurar uma narrativa dotada de sentido, partindo do comportamento natural dos bichos”, diz a produtora executiva da Mixer, Eliane Ferreira. Estima-se um orçamento de R$ 6 milhões para a produção. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo


Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2008/02/21/documentario_vai_contar_historia_do_mico_leao_dourado_1199730.html

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OS MICO-LEÕES

MICO-LEÃO DOURADO


Comprimento: aproximadamente 32 cm
Cor: amarelo dourado
Peso: em média entre 400 e 700 gramas
Tempo de vida: em média 15 anos
Tempo de gestação da fêmea: 4 meses e meio.

  • O habitat deste animal no Brasil é a região montanhosa do sudoeste do Rio de Janeiro

  • Costuma brigar até a morte para defender seu território.

  • Tem hábito diurno e costuma viver em grupos de até 8 animais.

  • Alimenta-se principalmente de insetos frutas, lagartos, ovos de aves e pequenos pássaros.

  • A fase de reprodução da fêmea ocorre entre os meses de setembro a março. Ele costuma gerar de 1 a 3 filhotes.

  • Esta espécie está correndo risco de extinção. Porém a reprodução em cativeiro está apresentando resultados positivos.

  • Também são chamados de: sagui, sagui-piranga, mico e sauí.



MICO-LEÃO DA CARA DOURADA

Distribuição geográfica: Floresta tropical no sudeste da Bahia

Habitat: Floresta Atlântica

Hábitos alimentares: Frugívoro e insetívoro

Reprodução: Gestação de 125 a 132 dias

Período de vida: Aproximadamente 15 anos


- Alimentam-se de frutos, insetos, alguns fungos, pequenos vertebrados e ovos, além de certos exudatos de árvores (seivas e âmbares) e flores abundantes em néctar, que são características de florestas já bem formadas.

- Vivem por volta de quinze anos, e a maturidade sexual varia entre machos e fêmeas: 24 meses para eles, 18 para elas.

- Podem formar grupos que variam de 3 a 12 indivíduos, e normalmente as fêmeas são expulsas do grupo para formação de novos pólos familiares.


MICO-LEÃO DA CARA PRETA


Peso: 572 g
Comprimento: 38,8 cm
Ocorrência Geográfica: São endêmicos da Floresta Atlântica do estado do Paraná.


- Vivem em grupos familiares de 05 indivíduos, utilizando ocos de árvores e bromélias como abrigo. Sua alimentação consiste basicamente em insetos e frutos.

- Possuem uma gestação anual, com nascimento de 02 filhotes.

- As informações desta espécie ainda são escassas. Recentemente um dos micos passou a ser monitorado através de uma colar equipado com um sistema de radar. A partir daí, outros foram localizados: duas fêmeas com filhotes que vivem constantemente agarrados as costas das mães. Os pesquisadores acreditam que a população de micos-leão-da-cara-preta esteja em torno de 300 indivíduos, quantidade considerada muito pequena e que representa uma ameaça a sobrevivência da espécie.

- Cientista que descreveu: Lorini e Persson, 1990


MICO-LEÃO PRETO

Distribuição geográfica: Estado de São Paulo

Habitat: Floresta Atlântica

Hábitos alimentares: Frugívoro e insetívoro

Reprodução: 125 a 132 dias

Período de vida: Aproximadamente 15 anos

O mico-leão preto é um pouco menor que os outros Leontophitecus, e não é totalmente preto, pois costumam ter uma área alaranjada nas pernas traseiras.

São mais desconfiados e silenciosos, e talvez isto tenha sido a salvação para os grupos sobreviventes.

O mico-leão preto foi considerado extinto em 1905, e o desaparecimento desta espécie foi um dos grandes motivadores das pesquisas sobre a extinção nas terras brasileiras. Mas, na década de 1950, foram encontrados dois grupos vivendo no interior do estado de São Paulo, e imediatas medidas de proteção a estes raros sobreviventes começaram a ser feitas.

Eram cerca de cento e cinqüenta micos, mas isto dividido em duas populações muito afastadas umas das outras. De lá pra cá, consegui-se aumentar em cerca de dez vezes a população da espécie, mas ainda assim a perda de variedade genética, que pode proteger a espécie no caso de doenças ou de mudanças ambientais, foi muito grande e o mico-leão preto ainda corre enorme risco de desaparecer.

Texto de Ricardo Avari
Biólogo do CEMAS-CECFAU/FPZSP

Fontes:

http://www.zoologico.sp.gov.br/mamiferos/micoleaopreto.htm

http://www.zoologico.sp.gov.br/mamiferos/micoleaodecaradourada.htm

http://www.suapesquisa.com/mundoanimal/mico_leao_dourado.htm

http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./especie/fauna/index.html&conteudo=./especie/fauna/mamiferos/caissara.html

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domingo, 30 de agosto de 2009






Aquarelas prestam homenagem a comunidades indígenas

Novamente dispensa palavras...











Exposição de aquarelas Índios do Brasil, de Laky Gatti e M. Cafrruny. As artistas prestam uma homenagem à Semana dos Povos Índígenas com trabalhos que ilustram costumes, feições, adornos e cenas cotidianas de comunidades de Norte a Sul do país.

Elisabeth Laky Gatti e Marlene Cafrruny dedicam-se às artes plásticas desde a década de 1970, com ênfase na técnica de aquarela. Têm formação em cursos do Atelier Livre e do Museu de Arte do Rio Grande do Sul, entre diversos outros, trabalham em ateliês próprios e realizaram dezenas de exposições individuais e coletivas.

fonte: http://www2.camarapoa.rs.gov.br/default.php?reg=8589&p_secao=56&di=2009-04-09
(esta exposição realizou-se no período da Semana do índio - abril de 2009)
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009


História e cultura dos índios disponíveis no portal Domínio Público









Ministério da Educação (27/03/2008) - O portal Domínio Público pode ajudar professores e alunos a conhecer melhor a história e a cultura dos índios do Brasil. Além de documentos, artigos, teses, livros, poesias, o portal torna disponível para acesso, a partir desta quinta-feira, 27, a série Vias dos Saberes. São quatro volumes que abordam a temática indígena e étnico-racial. Todo esse acervo pode ser consultado gratuitamente. Professor e aluno podem se informar sobre a formação da identidade do povo brasileiro, por meio de uma diversidade de fontes e temas capazes de oferecer diferentes pontos de vista sobre a temática indígena.

O índio brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje é o título do primeiro dos quatro volumes da série Vias dos Saberes, escrito pelo autor Gersen José dos Santos Luciano. Nele, são discutidos, por exemplo, a identidade e a organização indígenas, o meio ambiente e a situação política dos índios, além da contribuição dos povos indígenas ao país e ao mundo.

O segundo volume trata da presença indígena na formação do Brasil e aborda o sistema colonial, a ação missionária e a resistência indígena. A obra chama-se A presença indígena na formação do Brasil e foi escrita por João Pacheco de Oliveira. O terceiro título discute a evolução dos direitos indígenas no Brasil desde a colonização portuguesa até os dias de hoje, passando pela criação da Fundação Nacional do Índio (Funai). O volume chama-se Povos indígenas e a lei dos “brancos”: o direito à diferença e foi escrito pela autora Ana Valéria Araújo.

O quarto e último título que compõe a série serve de instrumento para a formação de professores indígenas na área da linguagem. Em Manual de lingüística: subsídios para a formação de professores indígenas na área de linguagem, o autor Marcus Maia traz assuntos pertinentes ao professor indígena. A série Vias dos Saberes está disponível em forma de texto na categoria educação do portal Domínio Público.

Outras fontes – O aluno também pode baixar sem nenhum custo os primeiros romances brasileiros a incluir a figura do índio na literatura, como I Juca Pirama, de Gonçalves Dias, ou O Guarani, de José de Alencar. Caso o estudioso tenha interesse em consultar teses, dissertações, revistas e outras obras de não-ficção, poderá procurar, por exemplo, pelos volumes da revista de História Regional. No número 2 do volume 5, o estudante poderá se informar sobre a educação de indígenas e luso-brasileiros pela ótica do trabalho. Já na tese de doutorado da aluna Jaci Vieira, da Universidade Federal de Pernambuco, é possível pesquisar sobre a ocupação de terras indígenas em Roraima.

Lei – O estudo da história do povo indígena no Brasil deve ser obrigatoriamente incluído no currículo escolar, de acordo com a Lei nº 11.465/08, sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e publicada no Diário Oficial da União em 11 de março. A lei altera um artigo da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e substitui a Lei nº 10.639/03, que já previa a inclusão da temática afro-brasileira nos currículos das redes de ensino. Agora, todas as escolas de ensino fundamental e médio, tanto públicas quanto privadas, devem conferir o mesmo destaque ao ensino da história e cultura dos povos indígenas. De acordo com a nova lei, todas as disciplinas, especialmente história, geografia e literatura, devem incorporar a contribuição dos negros e indígenas à cultura brasileira.

Maria Clara Machado

Fonte -http://thiniafulnio.com.br/1/index.php?option=com_content&task=view&id=21&Itemid=9

quinta-feira, 13 de agosto de 2009



Este e outros vídeos estão aqui no site:
VÍDEO NAS ALDEIAS
http://www.videonasaldeias.org.br/2009/index.php

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É TUDO VERDADE:

Após 20 anos, diretor
revê luta dos
índios Corumbiara








A naturalidade com que a câmera entra no protegido universo dos índios Corumbiara é o grande triunfo do documentário
Corumbiara, de Vincent Carelli, integrante da mostra competitiva do É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários. O cineasta e indigenista retoma o massacre ocorrido em 1985 e refaz uma trajetória de vinte anos cujos efeitos se refletem no presente.

Carelli consegue a confiança dos índios, o que é fundamental para amenizar e naturalizar a presença da câmera. Ela registra o cotidiano, o idioma, os métodos, o comportamento, o medo e a luta de uma família de quatro pessoas, únicas restantes de uma etnia.

O trabalho do documentarista começou em 1986, quando ele foi para Rondônia buscar provas do massacre dos índios, no qual o Estado, recém saído das mãos dos militares, se omitiu inteiramente. "Com esse tema, conseguiria dar ao vídeo a função de militante", diz o cineasta no início do documentário.

Essa foi a perspectiva inicial de Carelli. Os anos se passaram, muitas frustrações e alegrias entraram na conta do cineasta. E o trabalho que ele apresenta em Corumbiara é o recolhimento das imagens acompanhadas de reflexão e análise, em primeira pessoa, das experiências vividas e da situação política do índio no Brasil.

A respeito das imagens como registro, o cineasta consegue imagens valiosas de um pedaço que ajuda a entender o que é o Brasil. Para um espectador urbano, o filme apresenta, sem romantismos, como eles tentam tirar os males interiores, se aproximam de quem querem casar, suas rixas e a alegria de reencontrar parentes que consideravam mortos. Documento, registro em imagens.

Mas há a outra perspectiva, que não pertence ao passado, mas sim à História, ou seja, em mutação. Trata-se da preservação de seus espaços, a manutenção de reservas, a destruição causada pelos latifundiários, madeireiros e plantadores de soja. Nos últimos 20 anos, Carelli fez diversas investidas para provar, como cinegrafista, o quão prejudicados têm sido os índios.

Ameaças à bala, corrupção, poder político, silêncio dos moradores são alguns componentes que explicam porque os proprietários de fazendas não são punidos. E isso se reflete ao longo das quase duas horas de Corumbiara. Discussão mais que atual, já que o STF decidiu pela manutenção recentemente pela manutenção da reserva Raposa Serra do Sol.

O documentário tem um tom similar ao emocionante Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho, que volta após 20 anos para documentar os personagens militantes que participaram de uma experiência artística. Corumbiara tem a mesma habilidade narrativa e duas grandes portas de entrada: o registro de uma parte do Brasil e os caminhos políticos. A decisão é do espectador.

Heitor Augusto - 27/03/2009

Fonte: http://cinema.cineclick.uol.com.br/noticia/carregar/titulo/e-tudo-verdade-apos-20-anos-diretor-reve-luta-dos-indios-corumbiara/id/22705
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