quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A arte de ler os sinais através

do movimento dos pássaros,


dos ventos, dos rios e do fogo

é para o povo indígena a


maneira pela qual a Mãe Terra

conversa com o ser humano.


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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009




CURUMIM

Agradece
pela
teia
pela vida

Celebra
com
a vida
com a
terra



Documentação do Serviço de Proteção aos Índios é incluída no Programa Memória do Mundo da Unesco


O Comitê Nacional do Brasil do Programa Memória do Mundo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) escolheu, no dia 24 de junho, o Fundo SPI - Serviço de Proteção aos Índios entre os dez acervos documentais brasileiros que agora farão parte do Registro Nacional do Programa. Na mesma ocasião, o Fundo SPI, que traz registros de mais de 50 anos de atuação do Estado brasileiro junto aos grupos indígenas, foi recomendado para o Registro Regional para América Latina e Caribe.

O Programa Memória do Mundo é um projeto, iniciado em 1992, que tem como objetivo identificar documentos ou conjuntos documentais que tenham valor de patrimônio documental da humanidade. Criado em 2004, o Comitê Nacional do Brasil estimula a participação de detentores de acervos de importância nacional no Programa Memória do Mundo da Unesco, além de propor atividades de sensibilização, divulgação e capacitação para orientar instituições e pessoas, nas diversas regiões do país, para a identificação de acervos e encaminhamento de propostas de candidatura para registro no Programa.

O Fundo SPI reúne documentos textuais, audiovisuais e etnográficos provenientes do trabalho desenvolvido por indigenistas do Serviço de Proteção aos Índios no início do século passado. O acervo é constituído de 115.472 documentos textuais: 574.880 folhas, representados em 2.251 registros de base de dados. Fazem parte da coleção 519 desenhos originais, 87 impressos aquarelados, 14.766 negativos fotográficos de 35 mm, 4.066 negativos fotográficos 6x6 cm, e 3.432 fotografias, além de 23 filmes cinematográficos de 35 mm e um de 16 mm. O material inclui também cerca de 300 documentos sonoros.

Em 1967, quando o SPI foi extinto para dar lugar à Fundação Nacional do Índio – FUNAI, um incêndio destruiu quase totalmente o acervo. Todo o material foi resgatado pelo Museu do Índio, a partir de 1976, através de um trabalho sistemático de recuperação dos documentos acumulados pelas unidades administrativas criadas pelo SPI em vários pontos do país.

A sistematização dos dados sobre esse acervo dá voz às diversas etnias indígenas brasileiras, contribuindo para o processo de demarcação das suas terras. Deste modo, o Museu do Índio cumpre uma de suas principais missões, que é desenvolver reais mecanismos de inclusão política, permitindo que os índios tenham acesso às informações que lhe dizem respeito.

http://www.funai.gov.br/ultimas/noticias/2_semestre_2008/julho/un2008_001.html






- Aprendendo a lição do vento:
O vento sopra por onde quer. A sua natureza é a liberdade de
acessar os espaços livres.
Pense que o seu espírito é livre como o vento. Medite nisso quando
deitar para o descanso diário.
Seja uma flauta espiritual. Quando o sopro sutil viajar pelo seu
interior, toque a música... Voe com ela!
O ensinamento do vento é sobre O PODER DO MOVIMENTO.
A morada do vento é na garganta.


Trecho de Viagem Espiritual Xamânica
por Wagner Borges



KUARUP


O Kuarup é um ritual dos grupos indígenas do Parque do Xingu para homenagear os mortos.
Os troncos feitos da madeira “kuarup” são a representação concreta do espírito dos mortos ilustres. Corresponderia a cerimônia de finados dos brancos, entretanto, o Kuarup é uma festa alegre, afirmadora, exuberante, onde cada um coloca a sua melhor vestimenta na pele. Na visão dos índios, os mortos não querem ver os vivos tristes ou feios.

Descrição do Kuarup da tribo Kuikuro – Região do Rio Kuluene

Uma cerimônia de mais profundo sentimento humano realizam os Kuikuro no mês de maio de cada ano e sempre em uma noite de lua cheia. Num cenário fantástico os índios desta tribo, convidam as tribos amigas para evocarem juntas, as almas dos mortos ilustres. Ainda noite, trazem da floresta vários toros de madeira, conforme o número dos que desapareceram, que vão ficando em linha reta no centro do terreiro em frente às malocas onde são recortados na forma humana de cada um e pintam neles as respectivas insígnias que em vida os fazia distinguir pajés, guerreiros, caçadores ou até mesmo aqueles que maior descendentes legaram à comunidade. Enquanto são executados estes trabalhos. Alguns homens com arco e flechas entoam hinos aos mortos.

Tudo pronto, aos gritos de há-ha, vão os homens às malocas e de lá voltam acompanhados das mulheres e crianças. As mulheres, de cabelos soltos, trazendo algumas frutas e guloseimas, em largas folhas de palmeira, outras, ricos cocares, plumagem de coloridos vivos, braceletes e colares, aproximam-se em passos harmoniosos dos kuarupes e em voz baixa como um sussurro, travam com eles um pequeno diálogo em que parecem exprimir toda a gratidão, falando-lhes das saudades que deixaram, oferecendo-lhes ao mesmo tempo os frutos e guloseimas, e enfeitando-os com os ricos cocares, as plumas, os braceletes.
Vai-se fazendo noite, não tarda a escuridão, os homens trazem da floresta archotes de palha incendiados, cuja luz violenta faz luzir os corpos untados de urucum em reflexos metálicos que desenham toda a beleza dos seus músculos.
Começa a dança do fogo, fantástica visão em volta dos kuarupes.
Primeiro em passos cadenciados depois em um crescendo cada vez maior, ao ritmo do chocalhar dos maracás e das canções místicas, até se fazer ouvir a voz do pajé, numa evocação a Tupã, implorando fazer voltar à vida aqueles mortos ilustres. Neste exato momento a lua cheia se encontra em seu máximo esplendor.

Terminando a evocação os homens se dispersam pelo terreno em pequenos grupos, enquanto só o pajé continua a entoar as suas loas até o alvorecer.
De novo voltam as mulheres para ouvirem os cânticos que lhes anunciam ter o sol feito voltar à vida os mortos ilustres.

Então começa a dança da vida e é executada pelos atletas da tribo, cada um trazendo ao ombro uma longa vara verdejante, símbolo dos últimos nascidos na comunidade.
Os atletas formam um grande círculo correndo em volta dos kuarupes ao mesmo tempo que em gestos e curvaturas os reverenciam. Depois o grande círculo se divide em dois e logo cada qual se dissolve em vários grupos representando a sua respectiva tribo.

É um momento de intenso silêncio, homenagem a estes últimos nascidos. Finda a homenagem, as diversas tribos executam uma luta que denominam “Uka-uka” uma espécie de luta romana.
Encerram a cerimônia em que os Kuarupes são, em festiva procissão, levados para o rio, e lá, entregues às suas águas.

Imagens:http://www.funai.gov.br/ultimas/noticias/2_semestre_2008/julho/kuarup_004.html
1. Índios – Suplemento Especial. Encarte do Jornal Radical, produzido em parceria com a FUNAI – Fundação Nacional do Índio. Abril de 1997.
2. Danças do Brasil / Felícitas. - Rio de Janeiro: Editora Tecnoprint Ltda.,, sem/data